JACUI

23/10/2015 12:00

    A capela onde se reúne a “Comunidade Jacuí” dista 11 quilômetros de Liberdade e fica  no lugar ainda conhecido como “Caixa d’Água”. Tinha esse nome por causa de um reservatório que existia à margem da estrada de ferro para abastecer de água as antigas e desativadas locomotivas a vapor que passavam por ali. Os “trens de ferro” se modernizaram, a caixa d’água perdeu finalidade e foi demolida, mas o nome ficou registrado na memória do povo, como marca de um tempo de alegres recordações para as  tantas famílias de ferroviários,  fazendeiros, sitiantes  e trabalhadores  que viveram  naquela região silenciosa, banhada  pelas  águas  turvas  do ribeirão “Jacuí”  que segue sua  sina,   cantando mansamente em direção  ao rio Grande,  seu porto final.
Havia na região do “Jacuí” piedoso casal de firmes convicções cristãs que a todos ensinava  o valor das verdades do Evangelho.  De prole numerosa, fundamentados na oração, passavam a filhos e netos ensinamentos e exemplo das virtudes da fé, esperança e caridade  que São Paulo chama de Amor! Produziram frutos que encheram cestos!
    Certa vez, aquele respeitável chefe de família (cujo nome Deus conhece),  alcançou uma graça da qual muito necessitava; como modo de agradecer, fez voto de construir uma capela; cumpriu o prometido! Por volta de 1957, num cantinho de suas terras, mandou erguer uma igrejinha em honra a Nossa Senhora da Guia e entregou-a à  Paróquia  de Liberdade.  Com emoção, muitas pessoas  se recordam da primeira Missa ali  celebrada,   ainda em latim  e   de acordo com o rito litúrgico antigo.
    Estava, assim,  inaugurada uma nova Comunidade  que se agregava às outras existentes na Paróquia. Não se perdeu tempo: logo de  início, a capela começou a servir como escola onde dedicada professora da mesma família (hoje aposentada) ensinava as primeiras letras  às felizes crianças daquelas bandas. Ao mesmo tempo, com ajuda de outras jovens mulheres voluntárias, preparava-se quem pudesse para receber a  “primeira comunhão”. 
Sentia-se o sopro da religião presente na luta do dia a dia. Com o andar do tempo, tal como ocorreu em outros aglomerados, muita coisa foi acontecendo: fim do transporte ferroviário, falecimento de fazendeiros, mudança de famílias inteiras para outros lugares. Mas a fé no coração dos moradores continuou!  Ainda hoje, cuidada por dedicados voluntários,  parece que,  lá do alto,  a capelinha espia   o povo e a todos recomenda:   tudo  por Jesus, nada  sem  Maria

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