MATO VIRGEM

23/10/2015 12:00

    Poucas pessoas que moram no “Mato Virgem” se lembram dos tempos difíceis dali; casas feitas de adobe,  cobertas de capim ou telha canal,  sem  energia elétrica. Faltava assistência social e religiosa.  Não havia capela  nem celebração de Missas.  Apesar disso, no aglomerado de moradias de gente alegre, a vida corria sossegada! Os homens tocavam a labuta diária, principalmente em empreitadas rurais,  e  as  mulheres  cuidavam  da  família.
    Por volta de 1975, foi construído  na estrada velha para Arantina, um “grupo escolar” (já demolido).  A  partir de então as  lideranças religiosas formaram  grupos  de oração e   passaram  a  usar aquela  escola,  por empréstimo,  para fazer  celebrações de  Culto e Palavra, estudos bíblicos e catequese. Mas eram movimentos que,  apesar do esforço dos líderes e da presença de animadores até de outras localidades,  não conseguiam  dar ao povo o esperado entusiasmo na  caminhada cristã.  Aí, veio o grande  impulso, a força abrasadora que só a luz divina dá:  em 1984, o pároco de Liberdade  promoveu “Santas Missões” pregadas por padres Redentoristas,  dentre eles um seminarista que se tornou Bispo auxiliar de Aparecida. Aproveitando o entusiasmo que os pregadores incutiram nos fiéis, o pároco  passou a celebrar missas  com mais frequência  e coordenadores  reavivaram atividades,  em sintonia  com  a Igreja.  Era o  início da verdadeira comunidade organizada, ou seja, aquela que se reúne  como  irmãos   para  partilhar  palavra,  pão e vida!.
    Apesar disso e  sendo longe o grupo escolar, o povo desejava uma capela, mais perto. Zeloso  casal coordenador  passou a utilizar  sua própria residência  e espaço externo  dela para encontros de catequese e celebrações da Palavra ou de Missas. Esses voluntários se mudaram para a cidade mas continuaram engajados na luta dos moradores com a preocupação de  arranjar um lugar para o culto. Na década de 1990, em terreno doado por caridosa benfeitora (já falecida), começou a ser construída igrejinha dedicada a São José.  Mais tarde, com apoio da Paróquia e do povo, a capela foi melhorada; ao lado, construiu-se cômodo  para cozinha, sala de catequese  e  atendimento social.  Tudo para facilitar a vida dos moradores das quase 50 casas que, hoje, com telhados novos, parabólicas reluzentes, garagens e jardins bem cuidados, enfeitam o lugarejo nascido há  tantos anos,  guardião  de   recordações  de seu bonito passado. Sua alegre festa anual é celebrada no mês de junho. 

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